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Trabalhar por muitas horas nem sempre é sinal de maior produtividade

Em ambientes corporativos, não é raro encontrar profissionais que se dedicam a longas e extenuantes jornadas de trabalho – em especial no setor financeiro e em empresas de consultoria. Eles chegam a dedicar até 80 horas semanais à profissão e abdicam da vida pessoal. Quando saem do escritório, muitas vezes estão em contato com algum cliente ou respondendo e-mails em plena madrugada. Mas até que ponto o número de horas trabalhadas se traduz em produtividade?
 
Para analisar a questão, Erin Reid, professora da Questrom School of Business, em Boston (EUA), realizou um estudo dentro uma grande empresa de consultoria nos Estados Unidos, conhecida por exigir longas horas de trabalho de seus funcionários.
 
Os resultados demonstraram que 42% dos homens entrevistados por Erin dedicavam, de fato, 60 a 80 horas semanais ao trabalho. Outros 32% dos entrevistados faziam jornadas de 50 a 60 horas, mas encontravam maneiras de enganar os seus chefes, fazendo-os acreditar que trabalhavam mais (entre as mulheres consultadas, os resultados foram diferentes: apenas 11% mentiam sobre as horas trabalhadas). Já 25% dos funcionários também trabalhavam entre 50 e 60 horas, mas não escondiam a informação de seus superiores.
 
Fingindo trabalhar
 
A pesquisadora identificou diversas estratégias usadas pelos funcionários para passar a impressão de que trabalhavam mais do que a realidade. Alguns priorizavam clientes próximos ao local de trabalho, de modo a não gastar tempo com viagens. Outros faziam acordos com os colegas para que cobrissem suas responsabilidades. Chamou a atenção o depoimento de um gerente experiente dentro da empresa, que confessou ter levado os filhos para esquiar durante uma viagem de negócios. Ele fazia ligações em breves períodos da manhã e da noite, enquanto dedicava o resto do dia ao lazer.
 
Funcionários que fingiam trabalhar, mas passavam tempo com suas famílias, recebiam elogios e promoções, enquanto os que eram sinceros em relação ao número de horas trabalhadas eram geralmente desprezados. A empresa parecia dar mais valor à aparência de dedicação do que à entrega concreta de resultados. 
 
Mudanças na cultura corporativa
 
Robin Elly, professora da Harvard Bussiness School, conduziu outro estudo, citado no site Business Insider, com resultados semelhantes. Analisando uma empresa global, também da área de consultoria, ela concluiu que o tempo de trabalho adicional dos funcionários não costuma ser muito proveitoso.
 
Robin questiona até que ponto responder a um e-mail à 1 hora da manhã é realmente positivo para um cliente. Segundo ela, há uma cultura corporativa de valorização de longas horas de trabalho. “Estar disponível 24 horas por dia durante a semana inteira tem um aspecto atraente. Ser requisitado é um símbolo de status. Isso sugere que a pessoa é importante e influente”, disse a professora ao Business Insider.
 
Para mudar esse panorama, Robin destaca a necessidade de as empresas encontrarem maneiras mais inteligentes de medir a produtividade de seus funcionários, indo além de indicadores de horas trabalhadas – ou teoricamente trabalhadas. É preciso criar novas ferramentas de análise de desempenho que priorizem metas aferíveis e concretas.
 
Embora a implementação de mudanças na cultura tão enraizada dentro das corporações não seja fácil, a professora de Harvard destaca os benefícios a longo prazo. Muitos profissionais não conseguem aguentar uma rotina de trabalho tão extenuante durante muito tempo e acabam pedindo demissão. Assim, a valorização do uso mais racional do tempo se apresenta como uma maneira de atrair e reter mais funcionários talentosos.
 
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Publicado em: 07/06/2016